Ravello

Ravello está situado entre Amalfi e as pequenas Minori e Maiori. Com pouco mais de 7 km2 e 2500 habitantes diferente das demais cidades da Costa Amalfi não fica à Beira mar, mas a falta de praias é compensada pela localização privilegiada, numa encosta rochosa de frente para o Mar que faz da cidade um grande terraço com vista para cenários deslumbrantes e paisagens encantadoras.

Para chegar até lá é preciso sair da Statale 63 e seguir pela Statale 373, ou utilizar os ônibus da Sita ou CitySightseeing (vide matérias anteriores) que partem da Piazza Flavio Gioia em Amalfi, são pouco mais de 6 km em  um trajeto repleto de belezas naturais e lindas vistas do mar.

Conhecida como a  “Città della musica” Ravello é palco de um festival anual de música,  uma das mais antigas da Itália, que surgiu como uma homenagem ao aniversario de 60 anos da morte de Richard Wagner no verão de 1953.

Ravello é palco dos mais belos jardins e vistas da Costa Amalfi e talvez de toda Itália, a Villa Rufolo, palco do festival de Ravello e a Villa Cimbrone, com a  “Terraza dell’Infinito” são programas imperdíveis, apesar dos 7 Euros que você desembolsará em cada uma das entradas.

Passagem obrigatória e gratuita é a Piazza Centrale, o Duomo de Ravello e o auditório Oscar Niemeyer.

Para os amantes da caminhada todos os passeios podem ser feitos a pé.

Villa Rufolo –  A construção do jardim num dos mais belos cenários com vista para o mar resiste ao tempo sempre bem preservado e  em constante transformação, especialmente durante o festival de Ravello, quando  o local se transforma num grande teatro ao ar livre dando lugar as orquestras, cantores, atores, bailarinos e uma multidão de privilegiados que se encantam com as apresentações  e a magia e beleza do local.

A Villa foi residência de uma importante e rica família de comerciantes e banqueiros do século 13 que depois viriam a entrar em decadência a partir do século 15, a família Rufolo. Um dos membros da família,  Landolfo Rufolo,  foi personagem de Boccaccio no quarto conto do segundo dia do “Decameron”, um personagem que luta de todas as maneiras para aumentar sua riqueza.

Reza a história que em 1880 durante sua estadia em Amalfi, uma breve visita a Ravello durante algumas horas, foram suficientes para encantar o compositor alemão,  que ao compor a Ópera Parsifal, descrevia  os jardins de Klingsor nas colinas do Monte Salvat na Espanha, um local que até então existia somente em sua imaginação,  e que teria encontrado na Villa Rufolo, a materialização deste lugar de sonho, quando então ele escreveu no livro de visitantes: “nós encontramos o jardim de Klingsor”.

A descoberta serviu de inspiração para o segundo ato da Ópera que vinha sendo trabalhada há duas décadas.

O Jardim de Klingsor da ópera Parsifal era um jardim mágico onde lindas mulheres seduziam os cavaleiros da fraternidade do Santo Graal fazendo com que esses quebrassem seus votos de castidade.

Parsifal  é seduzido pela amazona Kundry, que ao beijá-la sente as feridas que afligiam Amfortas, rei do Graal, ferido pelo mago Klingsor com a lança que perfurou Cristo, uma maldição que somente seria quebrada por um “inocente casto” (significado de “Parsifal”). Parsifal cura Amfortas, o destrona e se torna o novo rei do Graal.

Villa Cimbrone – Um lindo jardim leva até o “Terraço do Infinito” uma das mais belas vistas da Costa Amalfi e talvez de toda a Italia. 

A Villa sobre as quais as mais antigas citações datam do século XI,  foi residência de ricas famílias e sempre muito cobiçada pela aristocracia de Ravello devido à sua posição estratégica e, sobretudo, pelas suas grandes extensões de terreno plano,  próprios para a agricultura eram quase única na área. 

 No século XVI a família Fusco  abandonou esta vocação “agrícola”, iniciando um novo período em que a cultura clássica e renascentista passam a fazer parte do projeto que incluiu o famoso “Terraço do Infinito”. 

No século XIX,  um lorde inglês chamado Ernest William Beckett que visitava Ravello como recomendação para fugir da profunda depressão pela morte de sua esposa  se encantou com a Villa Cimbrone, e curado e estimulado pelo grande felicidade que encontrou ali, decidiu revitalizar a Villa e torná-lo  "o lugar mais bonito do mundo".

O jardim foi parcialmente redesenhado, organizado e entre  plantas nativas e exóticas ricas e variados trazidas por um botânico francês, foram adicionados vários elementos decorativos:  fontes, pequenos templos, pavilhões de pedra e estátuas de bronze.

Auditorio Oscar Niemeyer – Este auditório projetado por um dos mais renomados arquitetos brasileiros esta encravado numa encosta de frente para o mar. Após mais de dez anos de discussões envolvendo questões ambientais, finalmente foi inaugurada em 2010. Esta foi a primeira grande obra inaugurada em Ravello após a Villa Rufolo ainda no século 11, após muitas discussões e polêmicas, já que existe uma legislação local que impede novas construções na cidade.

Duomo de Ravello - Construído no século XI com ajuda do nobre Nicholas Rufolo, desponta no alto de uma escadaria na Piazza Centrale. À esquerda do altar-mor fica a Capela de San Pantaleone, homenagem ao padroeiro de Ravello, onde está guardado o sangue do santo que segundo a crença local, se torna liquido nos meses de maio e agosto.

Cenario do filme Beat The Devil dirigido por John Huston em 1953, com Humphrey Bogart, Jennifer Jones and Gina Lollobrigida, Ravello é um passeio imperdível aos amantes da natureza e belas paisagens, tem encantado visitantes ilustres ao longo dos anos e nao deve ficar fora de seu roteiro.

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